
Minha vida é um grande choro preso.
Passam os dias e as noites, e o choro sempre preso.
Nenhuma evolução, nenhum avanço, nenhuma novidade, é tudo a mesma coisa de sempre, às vezes pior.
O tempo está abafado, mesmo com tanta chuva lá fora. As palavras já não são suficientes pra explicar o sentimento, seja ele qual for. Ruins ou bons, são tão transcedentais que se tornam inalcansáveis, metafísicos. Quando raivosos, ultrapassam os limites humanos, apenas a moral impede de se tornarem algo maior e mais concreto.
Ah, a moral. Quem diria que um dia a nossa sociedade ia sucumbir completamente aos limites da moral. Os sentimentos humanos presos dentro de conchas metálicas, a natureza limitada ao pré-estabelecido.
Presos, sempre presos.
Minha raiva, minha tristeza, minha ansiedade, minha felicidade. Presos, dentro da minha concha, dentro dos limites morais que eu mesma estabeleci para minha vida. Tão intensos, gritam em meu peito, sentem necessidade de conhecer o mundo, de voar pelos ares.
O meu choro não, ele continua preso. E cada dia maior.
Até o dia que ele explodir, aí o mundo se vai junto. Tudo se vai, não sobrará nada.
Assim espero.
