quarta-feira, 13 de junho de 2012

Até onde vai sua dúvida?

Me peguei em dúvida de novo. Mas que merda é não saber. Não saber o que quer, não saber onde ir, não saber onde quer estar, não saber com quem quer estar, não saber decidir-se sobre x ou y. O 'não-saber' estende-se. Contamina toda a existência de um ser. Todos os seus atos e direções e atitudes carregadas do não-saber humano e do querer-fazer intuitivo.
Dia após dia, um eterno movimento. Mil caminhos, errados, certos, tortos, sinuosos, esburacados,  iluminados... São muitos mesmo. Traçamos todos. Passamos por todos os caminhos possíveis até chegar em algum lugar. Ou em lugar nenhum, o que é bem mais comum.
É normal se arrepender. Olhar para trás e sentir nojo de si mesmo, não acreditar como foi possível chegar àquele ponto. São muitas as pressões em cima da minha cabeça, dinheiro, emprego, estudo, família, amigos - é tanta informação que você acaba sem saber o que quer. 
Você quer o dinheiro que eles tem, você está duro. Você quer um emprego, você está desempregado. Você precisa voltar a estudar, largou as duas faculdades. Você precisa cuidar da sua família, cuidar da casa, cuidar da existência de um grupo. Você precisa ter responsabilidades, todos sabem disso, todo mundo tem mil conselhos e coisas pra dizer, todo mundo está cansado de te ouvir reclamar da vida. 
Mas calma aí. Todo mundo tem o controle da sua vida. Todo mundo tem a possibilidade de dar pitacos e dizer o que você tem ou não que fazer. Todo mundo tem alguma coisa boa pra te dizer que vai te tirar da merda. 
Foda-se todo mundo! A vida é sua! A dúvida é sua! E o que você faz? Se rebela contra o mundo. Chega de ouvir dos outros o que deve ser feito da minha existência, certo? Errado! 
Tem boca? Todo mundo tem. Ouvidos? Todo mundo também tem. Controle da sua vida? Todo mundo também tem! Claro, você precisa se auto-afirmar. Você precisa alugar os ouvidos de todo mundo com suas baboseiras e dúvidas existenciais e crises e é isso aí, sua vida, domínio público.
Seu dia-a-dia, uma novela. Seus amigos, expectadores. Expectadores, o mundo. 
Daí... você perdeu o controle da sua vida. Você vive no Show de Truman. Você precisa detalhar cada passo seu pros seus expectadores, que aguardam ansiosos pelo resultado. Mas não, não há resultados, apenas conflitos! É que você não quer nada daquilo, você não quer nada, você só quer viver. Mas não consegue! Você precisa ouvir dos outros uma resposta, já que você mesmo não consegue resolver seus conflitos. 
Você procura um psiquiatra que te enche de soluções - pílulas mágicas. Você ouve dos seus amigos um milhão de reclamações, você não precisa de remédios, você não precisa ter vícios, você tem força. Ou então o contrário, você não pode ficar sem seus remédios, você está doente,  tá escrito aqui, você tem isso, aquilo, aquilo outro, você precisa de ajuda.
Mesmo assim, você ainda não está satisfeito, continua cheio de dúvidas, de sensações estranhas. E continua detestando ouvir aquilo tudo. 
Passam-se os meses, e a confusão mental continua. Seus amigos se afastam de você, sua cabeça não é mais suficiente pro nível mental deles, você está entupido de remédios e seu comportamento se assemelha a uma maquina. Te tratam como uma criança, caçoam de você, te humilham com duas palavras. 
Chega, não?
Quem tem o controle da sua vida mesmo? Você.
Quem é o dono das suas dúvidas mesmo? Você. 
Você é o que mesmo, um ser humano ou uma planta? Não sei, isso você mesmo tem que saber. 
Auto controle. Segure a sua boca, segure seus dedos, economize suas palavras. Seja dono de si mesmo, sua vida não é um livro, se alguém quisesse saber todos os seus pormenores, escreveria uma biografia sua. Mas não, você não é ninguém, é apenas mais uma pessoa egocêntrica e egoísta e que precisa de atenção. Você é o sol, o mundo gira a seu redor e você ilumina o planeta. 
Mentira, você é um grãozinho de areia, pior ainda, cheio de duvidas, não sabe nem quem você é, você é o que seus amigos querem que você seja, o que sua família quer que você seja, o que a televisão quer que você seja. 
A dúvida te contaminou, a vacina vai doer e inchar, mas é isso, desapegue-se. Desapegue sua vida de outras vidas, desapegue sua existência dos clichés da vida dos outros. Ligue o botão do 'foda-se' pra quem não te quer por perto. Desligue o botão do apego. Seja seu próprio dono, tire suas próprias duvidas, chegue a suas próprias conclusões. Agradeça ao mundo, ele tenta te ajudar, mas não obedeça-o, sua vida é sua e você faz o que quiser dela, e olha só! Ninguém precisa saber o que você pensa sobre sua própria vida, só você. 
Cresça, ascenda, trilhe o seu próprio caminho diferente do dos outros, viva em seu tempo, siga suas regras, ultrapasse suas barreiras, vença seus obstáculos. Sozinho, do mesmo jeito que você saiu da buceta da sua mãe (a não ser que você tenha um irmão gêmeo.). Dependência emocional mata mais do que crack.









sábado, 5 de maio de 2012

Posso me sentar, doutor?


Então doutor... Eu não sei ao certo sobre o que eu quero falar... Apenas precisava vê-lo, liberar essa coisa presa dentro de mim...
Não, não sei dizer exatamente o que é. É como se eu fosse um gato e tivesse engolido uma bola de pêlos. E agora estou frustrada porque ela não quer sair de mim. É, é uma bola de pêlos doutor, que nem as dos gatos. Sabe?
É, eu gosto muito de gatos sim, tenho alguns. Prefiro mesmo, eles não mentem! 
Não doutor, eu sei que eu não sou um gato. Longe de mim entrar nesse nível esquizofrênico de angústia. É que tenho me decepcionado bastante com as pessoas ao meu redor... Já me sinto melhor com plantas e animais do que perto de seres humanos mesmo. Não, não sou sociopata, eu tenho muitos amigos, muitos mesmo. O problema é que eu estou um pouco enjoada de tudo isso. Essa coisa de sair e zoar e toda essa merda só me deixa mais frustrada. Claro doutor, tô dura. Fico sempre na merda. Abando os outros... É foda.
 Emprego? Sei atender telefone... Sei, sei lá, várias coisas... Ok, eu assumo, não sei se aguentaria um emprego. É, não quero mesmo. Prefiro sim, doutor. Pelo menos eles pagam tudo e eu posso ficar em casa, fazendo nada. Adoro o ócio do dia-a-dia. Não, não vou chegar em lugar nenhum, eu sou maluca. Ninguém me contratou até hoje, por quê perder meu tempo?
 Faculdade? Larguei as duas. Cansei daquela merda, aquel gente me irrita sabe... Não sei explicar doutor, é que... Já disse, tô numa fase de preferir os gatos... Eles não mentem, os olhos deles não fingem nada, eles não escondem nenhum tipo de sentimento, eles não te enganam, não te fazem achar que você é mais do que você é, não te iludem com palavras baratas, eles são amigos verdadeiros.
Homens? Não quero falar sobre isso, posso me levantar? Com licença, até a próxima.

...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Buraco Negro

"Era apenas mais um dia comum quando ela percebeu que, mais uma vez, o mundo tinha parado de girar por alguns segundos. Durante um momento, ela pensou e refletiu sobre como poderia fazer para que seu mundo voltasse a girar normalmente, sem essas pequenas pausas que vinham ocorrendo em seu curso normal. Era dia ou era noite, o mundo parava de girar e tudo ao seu redor desaparecia. Nesses momentos, ela se via emergindo de um buraco negro, como se não houvesse mundo, nem céu, nem chão, nem nada. Era só ela, ela e seu mundo inexistente, ela e seu grande buraco.
O que fazer quando tudo desaba e não há mais saída? O que fazer quando a imensidão engole qualquer perspectiva?"


Há três anos atrás eu comecei a escrever isso e não terminei. Tanto tempo depois, as palavras fazem o mesmo sentido. Havia um grande buraco negro e alguém que não sabia como fugir de sua força, sentindo-se atraída cada vez mais pela força do nada e vendo-se cada vez mais em vias de sucumbir ao vazio. Pois não houve outra alternativa. Minha memória não é mais a mesma que antes. Venho expulsando-a de mim mesma, como que querendo esquecer-me de tudo o que já vivi, ouvi, vi. Perdi. Deixei que minha mente se fosse e levasse consigo todas as imagens de meu passado. Queimando neurônios, apaguei o que não mais queria. Útil? Talvez. De nada mais me lembro. Não posso dizer por quê estava tão incompleta, tão inútil, tão vulnerável e temendo o pior. Pois o pior ainda não aconteceu, disso me lembro bem. 
Ainda estou aqui no mesmo lugar, beirando um abismo mortal que me aguarda sem piedade, eu escolho me jogar ou escolho dar um passo atrás e voltar? Não consigo decidir, a beira do abismo me parece mais confortável. 


Jogando fora dias de existência.







sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O corpo que não está mais aqui

Olhei para uma maçaneta quebrada. Na verdade olhei tempo demais para algo que não faz o menor sentido.
Mas pra quê sentido? Por que as coisas devem fazer sentido, qual o sentido de tudo ter que fazer algum sentido?
Aquela maçaneta quebrada me chamou muita atenção, não só por ser algo sem utilidade e sentido, mas por ser algo lógicamente paradoxal.
A maçaneta era daquelas compridas, abre dos dois lados, e no seu estado de não-existência, era nada, apenas um cilindro metálico se desprendendo do orifício anal da porta. Curioso, eu estava do lado de dentro, pensei por um minuto estar presa - até que alguém abriu-a. Mesmo em sendo um cotoco, uma merda inutil, ela girava. Exercia a sua função de maçaneta, mesmo que apenas existisse ali a sua alma, a sua medula, e mais nada. Mesmo sendo nada, não estando mais ali, aquela maçaneta repugnante ainda exercia a sua função. Deficientemente, ainda trabalhava, ainda dotava de alguma, minima, produtividade. Mas sua função era inutil, já que, por uma questão lógica, a mola da porta teve que ser retirada. Mesmo com uma função inutil, ainda trabalhava e abria, de fato, alguma possibilidade, a porta.
Hipocrita. Mantém-se ali, ocupando um espaço, impondo-nos a pena, por sua deficiencia, mas sua função é nada, ela está às custas da outra maçaneta, que exerce decentemente sua função, merencendo ainda mais crédito - trabalhava por si mesma e pela sua companheira deficiente. Carrega o peso de ser apenas um peso, ninguém a deseja, ninguém vê motivos para que ela ainda esteja ali.
Pensei também em sua história, como foi quebrada, e depois como consiguiram livrar-se do desespero de não ter uma maçaneta, de não ter escapatória, a sensação de claustrofobia dentro daquela sala que, a cada segundo, sucumbe, diminui, engole-os. Quebraram, arrancando também, provavelmente à força, a mola da fechadura. Aquela maçaneta repugnante forçou a outro componente, tão importante quanto ela no funcionamento daquela máquina chamada porta, que precisa abrir caminhos,precisa impedir caminhos.
Quantas mãos já tocaram naquela maçaneta antes dela se tornar deficiente, inutil? Qual a história de cada mão, cada cada corpo, cada toque, cada medula, cada alma que um dia ousou encostá-la?
A maçaneta não é nada, não é mais um corpo, é uma lembrança, um corpo deficiente, entrege ao poder do outro, dependente do outro, hipócrita, um não-corpo culpado por ainda existir e ter que carregar todo o seu peso, sua inexistência física.
Ela ainda existe. Ela ainda está ali, apesar de não estar mais ali. Ela existe, mas sem um corpo. Ela existe, com culpa e sofrimento. Sofrer é a condição primeira de sua existência. Sem o sofrimento, a maçaneta seria apenas uma maçaneta qualquer, com uma função, beleza, brilho, independente. Sofrer pela carga Maldita maçaneta, você existe.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Desamor



Não, eu não o amo.
De fato, não amo ninguém, nem aquele que penso amar.
Não amo nem a mim mesma, a quem deveria amar acima de todas as coisas.
Não amo a natureza, não amo meus próximos, não amo ninguém, não amo.
Tento amar meu maço de cigarros, mas não consigo, não o amo.
Tento amar a tudo e a todos, mas não consigo.
Sinto paixão, sinto desejo, fixação, desespero, necessidade, mas não amor.
Quem somos nós para definir a quem ou a que devemos direcionar nosso amor?
Não amo, não quero amar.
Quero desamor, loucura, simples e pura paixão. É o desamor atemporal, ter tudo e ao mesmo tempo não ter nada, tê-lo e não tê-lo, ter a tudo e ao nada, pensar amar por um segundo, enquanto durar o nosso êxtase, e depois acender um cigarro, satisfeita, pois não nos amamos, não somos ninguém.
Fito-o por um segundo, e me pergunto como posso não amá-lo. Talvez apenas o queira do meu lado, sem amá-lo, apenas desejo-o.
Conte-me suas frustrações, conte-me sobre seus dias ruins, conte-me sobre seu choro, vou fingir que o amo, e espero que você acredite.
Não, eu não o amo, nem a você nem a nada nesse mundo. O amor destrói tudo, o amor impõe necessidades. Se por acaso um dia disser que te amo é simplesmente porque quero ouvir o mesmo.
Mas não me ame, eu não sou ninguém, não mereço.
Apenas fique perto de mim, que fingirei te amar, te darei o que precisa e, no final de tudo, acenderemos um cigarro.



terça-feira, 27 de outubro de 2009

Choro Preso


Minha vida é um grande choro preso.
Passam os dias e as noites, e o choro sempre preso.
Nenhuma evolução, nenhum avanço, nenhuma novidade, é tudo a mesma coisa de sempre, às vezes pior.
O tempo está abafado, mesmo com tanta chuva lá fora. As palavras já não são suficientes pra explicar o sentimento, seja ele qual for. Ruins ou bons, são tão transcedentais que se tornam inalcansáveis, metafísicos. Quando raivosos, ultrapassam os limites humanos, apenas a moral impede de se tornarem algo maior e mais concreto.
Ah, a moral. Quem diria que um dia a nossa sociedade ia sucumbir completamente aos limites da moral. Os sentimentos humanos presos dentro de conchas metálicas, a natureza limitada ao pré-estabelecido.
Presos, sempre presos.
Minha raiva, minha tristeza, minha ansiedade, minha felicidade. Presos, dentro da minha concha, dentro dos limites morais que eu mesma estabeleci para minha vida. Tão intensos, gritam em meu peito, sentem necessidade de conhecer o mundo, de voar pelos ares.
O meu choro não, ele continua preso. E cada dia maior.
Até o dia que ele explodir, aí o mundo se vai junto. Tudo se vai, não sobrará nada.
Assim espero.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Delírios Alcólicos

Queria poder te desenhar, mas não posso fazê-lo. Te desenho com palavras, palavras mortas de um boêmio enegrecido.
Todo o nada que sou passa a ser tudo, já que você é meu tudo. Você é tudo aquilo que eu olho quando nada me prende a atenção.
A única coisa que quero é poder continuar olhando para o horizonte e vendo seu rosto. Por um momento pensei deixar de amá-lo, mas isso não é possivel, te vejo em todos os lugares, te enxergo em todos os espelhos, é você aqui quando eu fecho os olhos.
Te procuro, mas quase nunca te encontro, sempre te vejo na minha mente, solitária como a de um lobo sem amor, eu sou um lobo cego que tefareja com exatidão, quero sempre poder encontrá-lo e arrancar cada pedaço do seu corpo.
Longe de teus braços não sou nada, ninguém. Você é meus sonhos, você é minha música.

(Cerveja e vodka misturadas)

domingo, 13 de setembro de 2009

Um Peixe de luz

Há muito que eu não tenho o que dizer, o que pensar, no que me focar. Há tempos que eu me transformei em um tipo que não reconheço, como um inseto que eu mesma desconheço, que acorda e vive em meu lugar todos os dias. Meu mar se transformou em lama, minha expectativa de ser humana se foi como vento, já desisti de tentar continuar nadando em um mar de merda. Como um peixe em uma gaiola de passarinhos, vejo uma liberdade mas não posso alcançá-la, ela não está no meu mundo, e eu estou fora de qualquer previsão do tempo. Se faz sol lá fora chove aqui dentro, não tenho casa, nem mesmo uma ponte, um abrigo.
Prazer e felicidade nem ao menos tentam se confundir, qualquer sentimento já desistiu de se instalar dentro da minha carcaça, qualquer coisa já desistiu de tentar qualquer coisa, eu mesma já desisti de desistir, minha existência se resume a seguir uma receita de bolo, solado e insosso.
Procuro por uma tentativa se me tornar apresentável, mas ao menos sei o motivo, engano-me, assim como faço com todos, com tudo, uma grande arapuca. Fantasmas se divertem com o estrago que causam, com a revolta do meu âmago sobre mim, com a vontade de explodir, de me tornar luz, poeira.
Um morto vivo, um zumbi, sim, acho que é isso. Um zumbi mergulhado em formol, a carne já não é suficiente. Não crê em nada pois seu cérebro já se tornou poeira, e durante o tempo que estava vivo acreditou em muitas coisas, agora apenas espera até que um dia, talvez, alguém lhe corte a cabeça.
Em que acreditar? Que todo o esgoto vai se tornar água limpa, que todo o lixo evaporará pelos ares?
Ainda não, acho que ainda não. Continuo sendo um peixe, algo sem importância.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Falta

Sabe do que eu sinto falta? De tudo!
Sinto falta principalmente de mim mesma, de quando tinha uma vida, de quando tinha o que fazer.
O que me sobra não serve já que todo o resto me falta. Me sobra tempo, posso fazer o que quiser. Ou poderia, caso não me faltasser todo o resto necessário para poder gozar de todo o meu tempo livre.
Me falta disposição, inclusive, para correr atras de qualquer coisa. É chato isso, sabia!?
Sempre foi assim na minha vida - esperar, esperar, esperar. E tudo em troco de nada. Espero tento pelas coisas que, quando finalmente chega a hora de tê-las, perco completamente o interesse.
A única coisa que faço é esperar. Espero sentada, espero sem ter esperanças. Só espero, numa estática que se movimenta continuamente na minha vida.

Meus amigos estão levando suas vidas - empregos, mestrados, relacionamentos... Todos correndo atras do que acreditam que lhes darão um futuro digno. Boa sorte para todos. Não, eu realmente desejo boa sorte. Quero ver todos bem, alguns ricos, outros casados e com relacionamentos felizes, ou fora do país, como todos desejam. E fico feliz por eles, eles sabem exatamente o que querem! E é disso que eu tenho inveja - não de suas riquezas ou relacionamentos ou qualquer outra coisa. Apenas da capacidade de discernir o que para eles é o futuro ideal.
Não sei o que quero! Não sei se quero riqueza, se quero muito conhecimento, se quero muitos romances ou uma família linda. Realmente não sei o que quero pra minha vida, da minha vida ou com a minha vida. Me falta coragem, me falta mais determinação (ou alguma).

Todas as minhas resoluções para um ano novo foram por agua a baixo, percebi que não desejava nada daquilo. Desejo só ter o que fazer.
Talvez.
Sei que falta alguma coisa, mas não sei ainda o que é.



quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Plenamente Solidão


(...)


O senhor gostará que eu lhe conte que ontem me fiz bonita, dentro de meus limites de possibilidades. Fui a um salão de beleza, resisti heróicamente ao assédio de uma máquina ruidosa e gigante, (que a todo momento lembrava-me uma gigantesca corôa). Caminhei de cabeça erguida, assumindo a atitude da mulher que se julga bela, olhei de frente as pessoas que me encaravam e senti que - enfim - estava sendo seguida. Gostaria que o senhor fotografasse meu íntimo e surpreendesse minha alegria interior. Um homem qualquer - sem a sua negra e espesa barba - fazia percursos de pensamentos em torno de mim. Eu sei. Eu sei o que o senhor esta pensando agora. que - pelo menos me pesquisou - jamais tive necessidade de ser admirada como mulher e que certamente minha satisfação era fictícia e que minha vaidade conseguia abliterar o resto de raciocínio que ainda tenho. Engana-se, doutor.
Não quero emoçoes novas. Não me envaideceria por ter um homem - belo exemplar de animal, aliás - em meu encalço. Alegrava-me o fato de haver a possibilidade de estar se aproximando de mim o fim de minha incoersível solidão. Aquele homem de quem apenas pressentia a aproximação e e percebia a camisa negra, poderia ser uma caixa de ressonância onde minhas palavras não resvalassem ou se perdessem. Eu poderia
aceitar o seu assédio mudo e insistente.
Teria o direito de perguntar simplesmente, embora anciosa:
- Você é um homem inteligente? Será Capaz de me ouvir? E mais que ouvir, me entender?
Imagine, doutor, se ele disese que sim? Poderia dali responder pelos meus atos? Ah! não, doutor. Não seja homem agora. Volte a ser minha bússola e não insista em dizer - ou pensar - que no íntimo eu estava desejando a aventura, o homem, o corpo com o qual eu poderia misturar o meu e compor minha necessária e urgente sinfonia. Sou capaz de jurar que nem por uma fração de segundo essa idéia me possuiu. Não estou mascarando a realidade, doutor.
(...) Plenamente Solidão, Edna Savaget.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tic-tac

ODEIO relógios.
Sério. Detesto ouvir o tic-taquear dos relógios ecoando na minha cabeça, me dando a impressão de que cada segundo é uma eternidade, de que cada ângulo que aquele relógio se movimenta é um século na minha vida que passa rápido e rasteiro, me derrubando e trazendo cabelos brancos na minha cabeça.

Até os relógios digitais me irritam.
Eles são como pessoas sonsas, o tempo corre do mesmo jeito, só que disfarçado, sem o tic-tac.

O tempo corre, os dias passam, até a lua vai e volta e vai e volta denovo. E você não percebe, não sente nada, até que, de repente, tudo acontece muito rápido e, quando você menos espera, seus cabelos estão brancos, sua pele está ressecada, seus peitos caídos e suas mãos, eternamente enrugadas.

E o relógio digital não te deixa sentir que o tempo passa.
E os outros te fazem sentir que o tempo pássa rápido demais.

Tem um relógio bem aqui na minha frente fazendo tic-tac, tic-tac, tic-tac. Sem parar nem por um segundo sequer, não me deixa respirar, me deixando nervosa.

Há 20 anos atrás eu era um bebê. Agora, sou uma mulher, uma cavalona. Daqui há 20 anos, serei uma quarentona, uma loba. Depois, vou me tornando mais e mais animais diferentes, passando por mutações mais e mais absurdas. Quem sabe um dia não me torno uma fênix, surgindo das cinzas e voltando aos meus ciclos animalescos?

Eu fico pensando no que o tempo vai fazer comigo. Não só comigo, eu estou vendo as pessoas que eram novas quando eu era criança se tornarem velhas e enrugadas. Mas há alguma beleza, claro.
Dizem que o tempo é a única coisa que cura qualquer coisa. Mas eu não sei não, heim.
É difícil encarar isso tudo com naturalidade quando o tempo se torna um inimigo, passa passa e eu continuo estática. O tempo muda o muindo e eu nada.

Ainda continuo condenada a sentir o tic-tac, a merda do tic-tac.



terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Liberte-nos


'Estamos condenados à liberdade.' (J.P. Sartre)


'A liberdade duplica as forças e o valor do homem.' (General Dumouriez)

'A liberdade é a escola da inteligência.' (Godwin)

'O amor da liberdade deve ser, na frese bíblica, invencível como a morte; deve como o apóstolo ter a sede do inifnito; deve ser grande, como o universo que o contém.' (José Bonifácio)

'A liberdade e a saúde se parecem: não lhes concebemos bem o valor senão quando nos faltam.' (Henry Becque)

'Se gostas da liberdade, foges sempre do amor.' (Castilho)

'A liberdade é um vinho que embriaga e portanto é perigosa. O que é grande não é a liberdade, mas a luta para sua conquista.' (Grieg)

'Também a liberdade deve ser limitada, para ser possuída.' (Burke)

'A liberdade é como o movimento: não se define, demonstra-se.' (E. de Girardin)

'A liberdade é o direito de fazer tudo quanto não prejudique a liberdade dos outros.' (Turgot)

'Em geral, o primeiro uso que se faz da liberdade reconquistada é privar dela os outros.' (Gaston Boissier)

'O homem nasceu livre, e em todos os lugares ele está acorrentado.' (Jean-Jacques Rousseau)

'Quem pensa segundo a opinião dos outros, está muito longe de ser um homem livre.' (Autor desconhecido)

'A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras.' (Carlos Drummond de Andrade)

'Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.' (Autor desconhecido)

'Cada um tem a sua opinião de liberdade porém nenhuma pessoa tem noção do que ela é.' (Eduardo Lemos)

'A liberdade é um fato de experiência que não pode ser negado. Não se trata contudo de uma liberdade absoluta. Como tudo o que diz respeito só homem, ela é limitada e parcial.' (Ralph Waldo Emerson)

'Aqueles que negam liberdade aos outros não a merecem para si mesmos.' (Abraham Lincoln)

'A liberdade diminui à medida que o homem evolui e se torna civilizado.' (Salazar)

'A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão.' (Massimo Bontempelli)

'Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres.' (Epiteto)

'O que fica de pé, se cair a liberdade?' (Kipling)

'Se você ama alguém, deixe-o livre.' (Sting)

'A liberdade é algo maravilhoso, mas não quando o preço que se paga por ela tem de ser a solidão.' (Bertrand Russel)

'O destino dos homens é a liberdade.' (Vinícius de Moraes)

'Não há excesso de liberdade se aqueles que são livres são responsáveis. O problema é liberdade sem responsabilidade.' (Milton Friedman)

'...Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.' (Luis Fernando Veríssimo)

liberté.