sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tic-tac

ODEIO relógios.
Sério. Detesto ouvir o tic-taquear dos relógios ecoando na minha cabeça, me dando a impressão de que cada segundo é uma eternidade, de que cada ângulo que aquele relógio se movimenta é um século na minha vida que passa rápido e rasteiro, me derrubando e trazendo cabelos brancos na minha cabeça.

Até os relógios digitais me irritam.
Eles são como pessoas sonsas, o tempo corre do mesmo jeito, só que disfarçado, sem o tic-tac.

O tempo corre, os dias passam, até a lua vai e volta e vai e volta denovo. E você não percebe, não sente nada, até que, de repente, tudo acontece muito rápido e, quando você menos espera, seus cabelos estão brancos, sua pele está ressecada, seus peitos caídos e suas mãos, eternamente enrugadas.

E o relógio digital não te deixa sentir que o tempo passa.
E os outros te fazem sentir que o tempo pássa rápido demais.

Tem um relógio bem aqui na minha frente fazendo tic-tac, tic-tac, tic-tac. Sem parar nem por um segundo sequer, não me deixa respirar, me deixando nervosa.

Há 20 anos atrás eu era um bebê. Agora, sou uma mulher, uma cavalona. Daqui há 20 anos, serei uma quarentona, uma loba. Depois, vou me tornando mais e mais animais diferentes, passando por mutações mais e mais absurdas. Quem sabe um dia não me torno uma fênix, surgindo das cinzas e voltando aos meus ciclos animalescos?

Eu fico pensando no que o tempo vai fazer comigo. Não só comigo, eu estou vendo as pessoas que eram novas quando eu era criança se tornarem velhas e enrugadas. Mas há alguma beleza, claro.
Dizem que o tempo é a única coisa que cura qualquer coisa. Mas eu não sei não, heim.
É difícil encarar isso tudo com naturalidade quando o tempo se torna um inimigo, passa passa e eu continuo estática. O tempo muda o muindo e eu nada.

Ainda continuo condenada a sentir o tic-tac, a merda do tic-tac.



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