segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Desamor



Não, eu não o amo.
De fato, não amo ninguém, nem aquele que penso amar.
Não amo nem a mim mesma, a quem deveria amar acima de todas as coisas.
Não amo a natureza, não amo meus próximos, não amo ninguém, não amo.
Tento amar meu maço de cigarros, mas não consigo, não o amo.
Tento amar a tudo e a todos, mas não consigo.
Sinto paixão, sinto desejo, fixação, desespero, necessidade, mas não amor.
Quem somos nós para definir a quem ou a que devemos direcionar nosso amor?
Não amo, não quero amar.
Quero desamor, loucura, simples e pura paixão. É o desamor atemporal, ter tudo e ao mesmo tempo não ter nada, tê-lo e não tê-lo, ter a tudo e ao nada, pensar amar por um segundo, enquanto durar o nosso êxtase, e depois acender um cigarro, satisfeita, pois não nos amamos, não somos ninguém.
Fito-o por um segundo, e me pergunto como posso não amá-lo. Talvez apenas o queira do meu lado, sem amá-lo, apenas desejo-o.
Conte-me suas frustrações, conte-me sobre seus dias ruins, conte-me sobre seu choro, vou fingir que o amo, e espero que você acredite.
Não, eu não o amo, nem a você nem a nada nesse mundo. O amor destrói tudo, o amor impõe necessidades. Se por acaso um dia disser que te amo é simplesmente porque quero ouvir o mesmo.
Mas não me ame, eu não sou ninguém, não mereço.
Apenas fique perto de mim, que fingirei te amar, te darei o que precisa e, no final de tudo, acenderemos um cigarro.



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