Me peguei em dúvida de novo. Mas que merda é não saber. Não saber o que quer, não saber onde ir, não saber onde quer estar, não saber com quem quer estar, não saber decidir-se sobre x ou y. O 'não-saber' estende-se. Contamina toda a existência de um ser. Todos os seus atos e direções e atitudes carregadas do não-saber humano e do querer-fazer intuitivo.
Dia após dia, um eterno movimento. Mil caminhos, errados, certos, tortos, sinuosos, esburacados, iluminados... São muitos mesmo. Traçamos todos. Passamos por todos os caminhos possíveis até chegar em algum lugar. Ou em lugar nenhum, o que é bem mais comum.
É normal se arrepender. Olhar para trás e sentir nojo de si mesmo, não acreditar como foi possível chegar àquele ponto. São muitas as pressões em cima da minha cabeça, dinheiro, emprego, estudo, família, amigos - é tanta informação que você acaba sem saber o que quer.
Você quer o dinheiro que eles tem, você está duro. Você quer um emprego, você está desempregado. Você precisa voltar a estudar, largou as duas faculdades. Você precisa cuidar da sua família, cuidar da casa, cuidar da existência de um grupo. Você precisa ter responsabilidades, todos sabem disso, todo mundo tem mil conselhos e coisas pra dizer, todo mundo está cansado de te ouvir reclamar da vida.
Mas calma aí. Todo mundo tem o controle da sua vida. Todo mundo tem a possibilidade de dar pitacos e dizer o que você tem ou não que fazer. Todo mundo tem alguma coisa boa pra te dizer que vai te tirar da merda.
Foda-se todo mundo! A vida é sua! A dúvida é sua! E o que você faz? Se rebela contra o mundo. Chega de ouvir dos outros o que deve ser feito da minha existência, certo? Errado!
Tem boca? Todo mundo tem. Ouvidos? Todo mundo também tem. Controle da sua vida? Todo mundo também tem! Claro, você precisa se auto-afirmar. Você precisa alugar os ouvidos de todo mundo com suas baboseiras e dúvidas existenciais e crises e é isso aí, sua vida, domínio público.
Seu dia-a-dia, uma novela. Seus amigos, expectadores. Expectadores, o mundo.
Daí... você perdeu o controle da sua vida. Você vive no Show de Truman. Você precisa detalhar cada passo seu pros seus expectadores, que aguardam ansiosos pelo resultado. Mas não, não há resultados, apenas conflitos! É que você não quer nada daquilo, você não quer nada, você só quer viver. Mas não consegue! Você precisa ouvir dos outros uma resposta, já que você mesmo não consegue resolver seus conflitos.
Você procura um psiquiatra que te enche de soluções - pílulas mágicas. Você ouve dos seus amigos um milhão de reclamações, você não precisa de remédios, você não precisa ter vícios, você tem força. Ou então o contrário, você não pode ficar sem seus remédios, você está doente, tá escrito aqui, você tem isso, aquilo, aquilo outro, você precisa de ajuda.
Mesmo assim, você ainda não está satisfeito, continua cheio de dúvidas, de sensações estranhas. E continua detestando ouvir aquilo tudo.
Passam-se os meses, e a confusão mental continua. Seus amigos se afastam de você, sua cabeça não é mais suficiente pro nível mental deles, você está entupido de remédios e seu comportamento se assemelha a uma maquina. Te tratam como uma criança, caçoam de você, te humilham com duas palavras.
Chega, não?
Quem tem o controle da sua vida mesmo? Você.
Quem é o dono das suas dúvidas mesmo? Você.
Você é o que mesmo, um ser humano ou uma planta? Não sei, isso você mesmo tem que saber.
Auto controle. Segure a sua boca, segure seus dedos, economize suas palavras. Seja dono de si mesmo, sua vida não é um livro, se alguém quisesse saber todos os seus pormenores, escreveria uma biografia sua. Mas não, você não é ninguém, é apenas mais uma pessoa egocêntrica e egoísta e que precisa de atenção. Você é o sol, o mundo gira a seu redor e você ilumina o planeta.
Mentira, você é um grãozinho de areia, pior ainda, cheio de duvidas, não sabe nem quem você é, você é o que seus amigos querem que você seja, o que sua família quer que você seja, o que a televisão quer que você seja.
A dúvida te contaminou, a vacina vai doer e inchar, mas é isso, desapegue-se. Desapegue sua vida de outras vidas, desapegue sua existência dos clichés da vida dos outros. Ligue o botão do 'foda-se' pra quem não te quer por perto. Desligue o botão do apego. Seja seu próprio dono, tire suas próprias duvidas, chegue a suas próprias conclusões. Agradeça ao mundo, ele tenta te ajudar, mas não obedeça-o, sua vida é sua e você faz o que quiser dela, e olha só! Ninguém precisa saber o que você pensa sobre sua própria vida, só você.
Cresça, ascenda, trilhe o seu próprio caminho diferente do dos outros, viva em seu tempo, siga suas regras, ultrapasse suas barreiras, vença seus obstáculos. Sozinho, do mesmo jeito que você saiu da buceta da sua mãe (a não ser que você tenha um irmão gêmeo.). Dependência emocional mata mais do que crack.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Posso me sentar, doutor?
Então doutor... Eu não sei ao certo sobre o que eu quero falar... Apenas precisava vê-lo, liberar essa coisa presa dentro de mim...
Não, não sei dizer exatamente o que é. É como se eu fosse um gato e tivesse engolido uma bola de pêlos. E agora estou frustrada porque ela não quer sair de mim. É, é uma bola de pêlos doutor, que nem as dos gatos. Sabe?
É, eu gosto muito de gatos sim, tenho alguns. Prefiro mesmo, eles não mentem!
Não doutor, eu sei que eu não sou um gato. Longe de mim entrar nesse nível esquizofrênico de angústia. É que tenho me decepcionado bastante com as pessoas ao meu redor... Já me sinto melhor com plantas e animais do que perto de seres humanos mesmo. Não, não sou sociopata, eu tenho muitos amigos, muitos mesmo. O problema é que eu estou um pouco enjoada de tudo isso. Essa coisa de sair e zoar e toda essa merda só me deixa mais frustrada. Claro doutor, tô dura. Fico sempre na merda. Abando os outros... É foda.
Emprego? Sei atender telefone... Sei, sei lá, várias coisas... Ok, eu assumo, não sei se aguentaria um emprego. É, não quero mesmo. Prefiro sim, doutor. Pelo menos eles pagam tudo e eu posso ficar em casa, fazendo nada. Adoro o ócio do dia-a-dia. Não, não vou chegar em lugar nenhum, eu sou maluca. Ninguém me contratou até hoje, por quê perder meu tempo?
Faculdade? Larguei as duas. Cansei daquela merda, aquel gente me irrita sabe... Não sei explicar doutor, é que... Já disse, tô numa fase de preferir os gatos... Eles não mentem, os olhos deles não fingem nada, eles não escondem nenhum tipo de sentimento, eles não te enganam, não te fazem achar que você é mais do que você é, não te iludem com palavras baratas, eles são amigos verdadeiros.
Homens? Não quero falar sobre isso, posso me levantar? Com licença, até a próxima.
...
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Buraco Negro
"Era apenas mais um dia comum quando ela percebeu que, mais uma vez, o mundo tinha parado de girar por alguns segundos. Durante um momento, ela pensou e refletiu sobre como poderia fazer para que seu mundo voltasse a girar normalmente, sem essas pequenas pausas que vinham ocorrendo em seu curso normal. Era dia ou era noite, o mundo parava de girar e tudo ao seu redor desaparecia. Nesses momentos, ela se via emergindo de um buraco negro, como se não houvesse mundo, nem céu, nem chão, nem nada. Era só ela, ela e seu mundo inexistente, ela e seu grande buraco.
O que fazer quando tudo desaba e não há mais saída? O que fazer quando a imensidão engole qualquer perspectiva?"
Há três anos atrás eu comecei a escrever isso e não terminei. Tanto tempo depois, as palavras fazem o mesmo sentido. Havia um grande buraco negro e alguém que não sabia como fugir de sua força, sentindo-se atraída cada vez mais pela força do nada e vendo-se cada vez mais em vias de sucumbir ao vazio. Pois não houve outra alternativa. Minha memória não é mais a mesma que antes. Venho expulsando-a de mim mesma, como que querendo esquecer-me de tudo o que já vivi, ouvi, vi. Perdi. Deixei que minha mente se fosse e levasse consigo todas as imagens de meu passado. Queimando neurônios, apaguei o que não mais queria. Útil? Talvez. De nada mais me lembro. Não posso dizer por quê estava tão incompleta, tão inútil, tão vulnerável e temendo o pior. Pois o pior ainda não aconteceu, disso me lembro bem.
Ainda estou aqui no mesmo lugar, beirando um abismo mortal que me aguarda sem piedade, eu escolho me jogar ou escolho dar um passo atrás e voltar? Não consigo decidir, a beira do abismo me parece mais confortável.
Jogando fora dias de existência.
Há três anos atrás eu comecei a escrever isso e não terminei. Tanto tempo depois, as palavras fazem o mesmo sentido. Havia um grande buraco negro e alguém que não sabia como fugir de sua força, sentindo-se atraída cada vez mais pela força do nada e vendo-se cada vez mais em vias de sucumbir ao vazio. Pois não houve outra alternativa. Minha memória não é mais a mesma que antes. Venho expulsando-a de mim mesma, como que querendo esquecer-me de tudo o que já vivi, ouvi, vi. Perdi. Deixei que minha mente se fosse e levasse consigo todas as imagens de meu passado. Queimando neurônios, apaguei o que não mais queria. Útil? Talvez. De nada mais me lembro. Não posso dizer por quê estava tão incompleta, tão inútil, tão vulnerável e temendo o pior. Pois o pior ainda não aconteceu, disso me lembro bem.
Ainda estou aqui no mesmo lugar, beirando um abismo mortal que me aguarda sem piedade, eu escolho me jogar ou escolho dar um passo atrás e voltar? Não consigo decidir, a beira do abismo me parece mais confortável.
Jogando fora dias de existência.
Assinar:
Comentários (Atom)


