quarta-feira, 2 de maio de 2012

Buraco Negro

"Era apenas mais um dia comum quando ela percebeu que, mais uma vez, o mundo tinha parado de girar por alguns segundos. Durante um momento, ela pensou e refletiu sobre como poderia fazer para que seu mundo voltasse a girar normalmente, sem essas pequenas pausas que vinham ocorrendo em seu curso normal. Era dia ou era noite, o mundo parava de girar e tudo ao seu redor desaparecia. Nesses momentos, ela se via emergindo de um buraco negro, como se não houvesse mundo, nem céu, nem chão, nem nada. Era só ela, ela e seu mundo inexistente, ela e seu grande buraco.
O que fazer quando tudo desaba e não há mais saída? O que fazer quando a imensidão engole qualquer perspectiva?"


Há três anos atrás eu comecei a escrever isso e não terminei. Tanto tempo depois, as palavras fazem o mesmo sentido. Havia um grande buraco negro e alguém que não sabia como fugir de sua força, sentindo-se atraída cada vez mais pela força do nada e vendo-se cada vez mais em vias de sucumbir ao vazio. Pois não houve outra alternativa. Minha memória não é mais a mesma que antes. Venho expulsando-a de mim mesma, como que querendo esquecer-me de tudo o que já vivi, ouvi, vi. Perdi. Deixei que minha mente se fosse e levasse consigo todas as imagens de meu passado. Queimando neurônios, apaguei o que não mais queria. Útil? Talvez. De nada mais me lembro. Não posso dizer por quê estava tão incompleta, tão inútil, tão vulnerável e temendo o pior. Pois o pior ainda não aconteceu, disso me lembro bem. 
Ainda estou aqui no mesmo lugar, beirando um abismo mortal que me aguarda sem piedade, eu escolho me jogar ou escolho dar um passo atrás e voltar? Não consigo decidir, a beira do abismo me parece mais confortável. 


Jogando fora dias de existência.







Nenhum comentário: