Então doutor... Eu não sei ao certo sobre o que eu quero falar... Apenas precisava vê-lo, liberar essa coisa presa dentro de mim...
Não, não sei dizer exatamente o que é. É como se eu fosse um gato e tivesse engolido uma bola de pêlos. E agora estou frustrada porque ela não quer sair de mim. É, é uma bola de pêlos doutor, que nem as dos gatos. Sabe?
É, eu gosto muito de gatos sim, tenho alguns. Prefiro mesmo, eles não mentem!
Não doutor, eu sei que eu não sou um gato. Longe de mim entrar nesse nível esquizofrênico de angústia. É que tenho me decepcionado bastante com as pessoas ao meu redor... Já me sinto melhor com plantas e animais do que perto de seres humanos mesmo. Não, não sou sociopata, eu tenho muitos amigos, muitos mesmo. O problema é que eu estou um pouco enjoada de tudo isso. Essa coisa de sair e zoar e toda essa merda só me deixa mais frustrada. Claro doutor, tô dura. Fico sempre na merda. Abando os outros... É foda.
Emprego? Sei atender telefone... Sei, sei lá, várias coisas... Ok, eu assumo, não sei se aguentaria um emprego. É, não quero mesmo. Prefiro sim, doutor. Pelo menos eles pagam tudo e eu posso ficar em casa, fazendo nada. Adoro o ócio do dia-a-dia. Não, não vou chegar em lugar nenhum, eu sou maluca. Ninguém me contratou até hoje, por quê perder meu tempo?
Faculdade? Larguei as duas. Cansei daquela merda, aquel gente me irrita sabe... Não sei explicar doutor, é que... Já disse, tô numa fase de preferir os gatos... Eles não mentem, os olhos deles não fingem nada, eles não escondem nenhum tipo de sentimento, eles não te enganam, não te fazem achar que você é mais do que você é, não te iludem com palavras baratas, eles são amigos verdadeiros.
Homens? Não quero falar sobre isso, posso me levantar? Com licença, até a próxima.
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